sábado, 13 de março de 2010

Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança e Portugal

Maria virou a Louca no fim da vida, nas duas últimas décadas. Era uma falta de finesse. Maria gostava de ser chamada de Maria Primeira porque afinal era isso que era, era Maria Primeira, não Maria a Louca. Era um desrespeito, uma desconsideração com sua delicada coroa de primeira, não de louca. Também a chamavam de Pia. Maria não era piedosa ao aumentar os impostos e ouvir com interesse sobre pessoas passando fome. Maria era Primeira, nem Louca nem Pia; pois nada havia de louco em suas idéias mórbidas, que tinha o cuidado de guardar para si, nem nada de pio havia em seus fingimentos religiosos. Maria gostava de ser Primeira mas deixava que a chamassem de Pia. Pia era melhor do que Bragança. Maria Primeira. Primeira era até melhor do que Rainha, porque tantas antes haviam sido rainhas; só ela era Maria, por isso era Maria Primeira. Primeira não vacinou os filhos e mandou expedições para pesquisas científicas ao Brasil. Um dos filhos morreu, um ourives foi enforcado. Maria gostou das notícias. Achou que agora poderia parar de guardar para si. Ouviu Maria Antonieta pedir ajuda durante a Revolução e sorriu mostrando os dentes bem escovados com graça de rainha. Primeira não gostava de Maria Antonieta, a começar porque se chamava Maria também. Maria a Louca ergueu as duas sobrancelhas bem alto quando soube que a cabeça de Maria Antonieta estava agora servindo de modelo de natureza morta para uma pintura. Uma rainha sem cabeça, riu-se Maria a Louca, que serventia tem ao mundo e à Europa uma rainha sem cabeça? E riu-se outra vez e foi à missa.

6 comentários:

bruna disse...

e morreu, de qualquer jeito. de que adiantou rir? heuahuhea

Tangerina disse...

OI, FOI A COISA MAIS FODA QUE EU JÁ LI EVER.

Não, sério. Eu adoro estudar a vinda da família Real para o Brasil e talz. Nossa. Gamei.

Bianca Caroline disse...

dia 13 ou 12? considero 13 se você tiver dormino um pouco antes da meia-noite, se não, não

maria doente...

então, as postagens estão supimpas :)
e eu, não que eu seja grande coisa, adorei a descrição "E a coroa? Vai enfiar no cu?" *-*

Mayra disse...

véia fia da puta.

Leti disse...

Quem ri por último, ri melhor... Mas quem riu depois da Maria?

(adoro que vocês misturam História e fantasia!)

geraldo disse...

Maria I foi a primeira mulher a exercer o papel de monarca titular. Foi a primeira com esse nome. Depois dela só outra Maria teve a honra de tal titularidade. Foi a sua neta primogénita, brasileira de nascimento, princesa do Grão Pará, Maria II de Portugal.

Maria I morreu louca porque lhe puseram aos ombros o peso de uma coroa e de um manto carregados de sangue e de culpas, que ela não podia aguentar.

Era pia porque acreditava verdadeiramente que a 1ª função de um monarca era fazer justiça, mas via-se enredada nas malhas do poder absoluto cujas regras nunca dominou porque os aliados e os adversários trataram disso cuidadosamente.

Era pia porque na sua rígida concepão de justiça não acreditava que o seu pai e o Pombal merecessem o perdão divino.

Era pia porque não se coibia de se aproximar do povo e abrir as cozinhas do palácio ao cortejo de mendigos que a acompanhava por todo o lado.

Maria I morreu louca porque se convenceu que os pecados do pai foram demasiado graves para ter perdão. Via-o no inferno e sofria com isso.

Maria I morreu louca porque se viu impotente para salvar o filho doente e condenado à morte por uma corte tenebrosa de sotainas e revanchistas que não viam com bons olhos a hipótese de ser regida por um príncipe de ideias maçónicas e admirador de Pombal.

Maria I morreu louca porque quase simultaneamente viu morrer o marido, que amava sinceramente.

Maria I morreu louca porque viu emperrar por todos os lados o seu projeto de Aliança entre potências europeias que deveria salvar da morte a prima Maria Antonieta, marido e filhos.

Maria I não suportou o relato do da agonia e execução pública dos primos franceses.Foi o golpe de misericórdia. Deixou-se alienar da realidade que não suportava. Maria I, tal como Jorge III de Inglaterra, sofria dores de cabeça tão violentas que a levavam a soltar gritos lacinantes deixando tolhidos de espanto e dó os embaixadores estrangeiros.

Maria I voltou a ter um momento de lucidez, quando se recusou a embarcar na nau que a conduziria ao Brasil. Só à força de 4 homens bem fortes foi possível segurá-la e metê-la na nau, mas não lhe calaram os gritos que provocaram o pranto o povo que a amava.

Sabia que não voltaria viva.

Foi o único membro da família real que mereceu o respeitoso silêncio do povo que assistia ao embarque.

Mesmo um mau dirigente, morto há séculos como Maria I, merece alguma compaixão pela sua loucura.

 
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